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quarta-feira, 30 de maio de 2012

sexta-feira, 25 de maio de 2012


o que há de bom
é o que não há
e o que não há?
ah, há de vir
há de vir
o que não veio
há de ter
o que não houver
há de ter ar
ah, há de ter.

quinta-feira, 24 de maio de 2012


Hoje um rato me parou na rua. Um rato dos grandes, com rabo grande e imponente, pelo bem cinza - quase preto. Um rato bravo, injuriado, indignado; só fazia praguejar contra os humanos e dizia repetidamente que "esta cidade é uma humanolândia, vocês são a escória do asfalto e ainda entopem nosso bueiros" - ranzinzava em alto e bom som, voltado para mim, mas para que todos, alguns humanos e uma maioria de ratos, pudessem ouvir. Duas ratazanas velhas que estavam por ali se envergonharam, provavelmente religiosos, temerosas a Mickey, apiedaram-se de mim, vendo minha angústia e estupefação diante a tal situação; mas nada me acalmaria. Corri, com medo da morte que viria por belas pauladas - o rato ranzinza já dispunha de um bom pedaço maciço de madeira - e depois seria descartado, como se descarta qualquer lixo; corri, corri para o abrigo mais próximo, a fresta mais próxima e suja que suportaria um humano covarde com medo do mundo. Encontrei-a e me abriguei, feliz e assustado, numa brecha relativamente suja e com cheiro de cidade cinza. O rato ranzinza se foi, as ratazanas de idade tomaram seu rumo, trôpegas e com amuletos pendurados no pescoços - réplicas da imagem santa de Mickey Mouse; agora, só alguns humanos corriam por ali, apressados e atentos aos donos do mundo, ratos. Decidi sair, volta à selva e me arriscar entre os ratos, precisava comer e continuar a vida, sempre uma aventura. Só então percebi que estava entre baratas, e havia machucado algumas, que praguejavam e ameaçavam-me três vezes mais ferozes que o rato ranzinza e amaldiçoavam-me cinco vezes mais insatisfeitas com minha presença - e o resto da corja humana que deve ser incluída, pois é tão chata quanto um humano só. Baratas e ratos, a maior população mundial, decidiram acabar com a humanidade, essa praga, já não aguentavam mais esse mundo humano de mentira. As baratas foram as primeiras, exibiram suas patas e os ratos vieram em seguida, entraram nos sapatos do cidadão civilizado. E daí até o topo, tomaram o mundo que nunca fora humano, nem pertencesse à humanidade e extinguiram a raça, corja, humana com um método simples e rápido e eficaz, porém dolorido e sanguinário: ratos e baratas, num complô contra os humanos, tiraram-lhes os olhos, mas mantiveram a visão; tiraram-lhes os ouvidos, mas mantiveram a audição; tiraram-lhes a língua, mas mantiveram a fala; tiraram-lhes o cérebro e não precisaram alterar nada, não havia o que manter.

sábado, 19 de maio de 2012


Eu sinto
sinto que em mais hora
ou menos hora
a linha será rompida.

Eu sinto
sinto que agora falta pouco
até que as vidas se fundam
vidas que não se dão.

Eu sinto
sinto que agora tudo está perdido
o que eu tenho e o que terei
sinto que sou todo defeitos.

Eu sinto
sinto que seu amor
tão ódio
agora repugna me amar/odiar.

Eu sinto
sinto muito.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

HEY, AMIGO!


-Discursos vazios, envoltos de uma sabedoria findada do nada, cercados de "oh..."; "bravo!"; "ele, ele sabe!, é muito inteligente, sabe o que diz!"; bom, isso eu vejo em qualquer esquina, meus caros, publicado em qualquer lugar, sem escrúpulo algum.

-Oh...
-Bravo!
-Ele, ele sabe!, é muito inteligente, sabe o que diz!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O calor do passado, passageiro, é capaz de me levar ao pico de um súbito absurdo de raiva, demência, impaciência, agressividade e hostilidade em poucos segundos - só enquanto passa o passado.
A vida é um tédio
A rotina é só amor
O amor desgasta
A vida é um tédio
A rotina é só amor
O am r desgasta

sexta-feira, 4 de maio de 2012


Gritos que imperam!
Sinos que batem!
Espada em mãos!
Pulsos cerados!
Olhos enfurecidos
por desejo, ódio, amor!
Tambores que rugem três notas graves repetitivas.
Marcam o os passos de um exército colossal e outro igualmente grande.
Grandes rivais num mesmo solo:

Marcham ferozes
desferem sangrentas investidas de espadas
sujas de sangue
sangue com cor de amor
cheiro de ódio
sangue que escorre
saciando desejos terrivelmente mórbidos...

Coração partido, empalado,
mente em conflito,
duas carnes de um mesmo ser,
dois gumes em um só homem.

Assim são
meus devaneios
exércitos colossais em conflito constante
batalhas sangrentas:

eu, tentando compreender-me.

terça-feira, 1 de maio de 2012


assinar é assassinar
o cantinho quieto da folha
que não quer responsabilidade
só quer ser linha, espaço em branco
linha tracejada
linha com um pontinho azul de caneta indicando
"assassine aqui
'faça de mim algo importante'
algo que eu nunca quis ser"
um papel importante
assinado
na sociedade
assassina

(eu, ... ninguém)