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quarta-feira, 3 de abril de 2013

quando estava no ensino fundamental, uma amiga me pediu para que escrevesse em sua agenda; aquela coisa de amigos de escola que escrevem mensagens bonitinhas uns para os outros e que serão guardadas e blá-blá-blá (...). aceitei o pedido, claro, com muito carinho e prometi que, no próximo dia, levaria a agenda/diário com a mensagem que me pedira. feito isto, no dia seguinte, lhe entreguei a agenda e fiquei esperando, de minha carteira, para ver sua reação; pois eu havia caprichado na mensagem, queria impressionar, queria ser lembrado por aquela mensagem. ela abriu a agenda e procurou onde eu havia depositado minha mensagem -e eu esperando sua reação, super ansioso- e, quando encontrou, demonstrou uma reação de grande surpresa! ótimo!, eu pensei. ela gostou, a impressionou, ficou feliz; objetivo concluído com sucesso - eu pensei, satisfeito. mostrou para algumas amigas que estavam por perto e que logo começaram a rir. isto também me deixou feliz, claro, pois além de sua aprovação para a mensagem, também havia a aprovação das amigas. foi quando terminou a avaliação da minha mensagem e suas consequentes reações que coisas estranhas começaram a acontecer. primeiro: uma caneta hidrocor saiu de sua mochila e passeo ferozmente por minha mensagem, rabiscando-a toda; segundo: um tubo de cola também saiu de sua mochila e lambrecou tudo o que eu havia escrito com tanto carinho; terceiro: um recorte de revista (ou algo parecido), de cor preta, também saiu de sua mochila e foi afixado, num misto de cuidado -para sobrepor cada palavra- e raiva, por cima de minhas palavras de companheirismo, amizade e carinho. fiquei sem entender, por pouco tempo, pois logo ela virara para mostrar o que havia feito com minha mensagem - transformara numa colagem sem sentido para apagar minhas palavras de afeto. fiquei surpreso e triste ao presenciar este feito, ainda mais vindo de uma amiga, e questionei-a o motivo de tanto ódio. a resposta veio e era algo parecido com: se é pra escrever errado e com letra feia na minha agenda, é melhor não escrever. tudo bem, eu pensei. tristeza é melhor esquecer. um fato triste de minha vida, mas altamente irrelevante em relação a algum tipo de rancor e sofrimento pelo acontecido. o problema todo é: esta mesma pessoa, depois muitos anos, em tempos de faculdade (numa universidade federal conceituada), insiste em escrever "concerteza"; não saber usar "mas" e "mais"; escrever inúmeras palavras erradas etc, etc, etc. e, sendo um pouco arrogante e orgulhoso e pedante... tenho mais conhecimento que ela e escrevo melhor que ela. não a julgo por isso e nunca o farei, mas o problema é ter que lembrar deste fato toda vez que me deparo com os erros ortográficos da pessoa que um dia arruinou uma mensagem de carinho pelos mesmos erros.

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